terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Apenas um comentário


Estou sentindo novamente a presença das palavras em minha vida... Brotam como flores da minha cabeça e o aroma precisa se expandir...

Nova fase, nova história, novos encontros e desencontros... mas firme com a escrita, o blog e as amigas balzaquianas novamente para me ajudar!!!


Recife me trouxe a alegria de viver de novo. Eu me apaixonei por Olinda pela arte pelo artesanato. Foi simplesmente amor à primeira vista. Me apaixonei pelo novo e, na verdade, isso é o mais importante. Um novo olhar, um novo sonho, uma nova perspectiva de vida...


Acima uma foto de Olinda, bem dentro do sítio histórico com suas casinhas coloridas e seus maravilhosos atelieres (?)
Kátia

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Trecho do livro Mulheres que correm com Lobos - Clarissa Pinkola Éstes


"Todas nós temos anseio pelo que é selvagem. Existem poucos antídotos aceitos por nossa cultura para esse desejo ardente. Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de aspiração. Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder nossos sentimentos. No entanto, o espectro da Mulher Selvagem ainda nos espreita de dia e de noite. Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós tem decididamente quatro patas."

"Os lobos saudáveis e as mulheres saudáveis têm certas características psíquicas em comum: percepção aguçada, espírito brincalhão e uma elevada capacidade para a devoção. Os lobos e as mulheres são gregários por natureza, curiosos, dotados de grande resistência e força. São profundamente intuitivos e têm grande preocupação para com seus filhotes, seu parceiro e sua matilha. Tem experiência em se adaptar a circunstâncias em constante mutação. Têm uma determinação feroz e extrema coragem."

"As questões da alma feminina não podem ser tratadas tentando-se esculpi-la de uma forma mais adequada a uma cultura inconsciente, nem é possível dobrá-la até que tenha um formato intelectual mais aceitável para aqueles que alegam ser os únicos detentores do consciente. "

"Não importa a cultura pela qual a mulher seja influenciada, ela compreende as palavras mulher e selvagem intuitivamente.
Quando as mulheres ouvem essas palavras, uma lembrança muito antiga é acionada, voltando a ter vida. Trata-se da lembrança do nosso parentesco absoluto, inegável e irrevogável com o feminino selvagem, um relacionamento que pode ter se tornado espectral pela negligência, que pode ter sido soterrado pelo excesso de domesticação, proscrito pela cultura que nos cerca ou simplesmente não ser mais compreendido. Podemos ter-nos esquecido do seu nome, podemos não atender quando ela chama o nosso; mas na nossa medula nós a conhecemos e sentimos sua falta. Sabemos que ela nos pertence; bem como nós a ela."
"O anseio pela mulher selvagem surge quando nos encontramos por acaso com alguém que manteve esse relacionamento selvagem. Ele brota quando percebemos que dedicamos pouquíssimo tempo à fogueira mística ou ao desejo de sonhar, um tempo ínfimo à nossa própria vida criativa, ao trabalho da nossa vida ou aos nossos verdadeiros amores."

"Quando as mulheres reafirmam seu relacionamento com a natureza selvagem, elas recebem o dom de dispor de uma observadora interna permanente, uma sábia, uma visionária, um oráculo, uma inspiradora, uma intuitiva, uma criadora, uma inventora e uma ouvinte que guia, sugere e estimula uma vida vibrante nos mundos interior e exterior. Quando as mulheres estão com a Mulher Selvagem, a realidade desse relacionamento transparece nelas. Não importa o que aconteça, essa instrutora, mãe e mentora selvagem dá sustentação às suas vidas interior e exterior."

"De que maneira a Mulher Selvagem afeta as mulheres? Tendo a Mulher Selvagem como aliada, como líder, modelo, mestra, passamos a ver, não com dois olhos, mas com a intuição, que dispõe de muitos olhos. Quando afirmamos a intuição, somos, portanto, como a noite estrelada: fitamos o mundo com milhares de olhos."

"0 arquétipo da Mulher Selvagem, bem como tudo o que está por trás dele, é o benfeitor de todas as pintoras, escritoras, escultoras, dançarinas, pensadoras, rezadeiras, de todas as que procuram e as que encontram, pois elas todas se dedicam a inventar, e essa é a principal ocupação da Mulher Selvagem. Como toda arte, ela é visceral, não cerebral. Ela sabe rastrear e correr, convocar e repelir. Ela sabe sentir, disfarçar e amar profundamente. Ela é intuitiva, típica e normativa. Ela é totalmente essencial à saúde mental e espiritual da mulher."

"E então, o que é a Mulher Selvagem? Do ponto de vista da psicologia arquetípica, bem como pela tradição das contadoras de histórias, ela é a alma feminina. No entanto, ela é mais do que isso. Ela é a origem do feminino. Ela é tudo o que for instintivo, tanto do mundo visível quanto do oculto - ela é a base. Cada uma de nós recebe uma célula refulgente que contém todos os instintos e conhecimentos necessários para a nossa vida.
Ela é a força da vida-morte-vida; é a incubadora. É a intuição, a vidência, é a que escuta com atenção e tem o coração leal. Ela estimula os humanos a continuarem a ser multilíngües: fluentes no linguajar dos sonhos, da paixão, da poesia. Ela sussurra em sonhos noturnos; ela deixa em seu rastro no terreno da alma da mulher um pêlo grosseiro e pegadas lamacentas. Esses sinais enchem as mulheres de vontade de encontrá-la, libertá-la e amá-la.
Ela é idéias, sentimentos, impulsos e recordações. Ela ficou perdida e esquecida por muito, muito tempo. Ela é a fonte, a luz, a noite, a treva e o amanhecer. Ela é o cheiro da lama boa e a perna traseira da raposa. Os pássaros que nos contam segredos pertencem a ela. Ela é a voz que diz, "Por aqui, por aqui".
Ela é quem se enfurece diante da injustiça. Ela e a que gira como uma roda enorme. É a criadora dos ciclos. É à procura dela que saímos de casa. É à procura dela que voltamos para casa. Ela é a raiz estrumada de todas as mulheres. Ela é tudo que nos mantém vivas quando achamos que chegamos ao fim. Ela é a geradora de acordos e idéias pequenas e incipientes. Ela é a mente que nos concebe; nós somos os seus Pensamentos."

"Se as mulheres querem que os homens as conheçam, que eles realmente as conheçam, elas têm de lhes ensinar algo do seu conhecimento profundo. Algumas mulheres dizem que estão cansadas, que já se esforçaram demais nessa área. Sugiro humildemente que elas estiveram tentando ensinar um homem sem vontade de aprender. A maioria dos homens quer saber, quer aprender. Quando os homens demonstram essa disposição, é a hora de fazer revelações; não apenas a esmo, mas porque mais uma alma perguntou. "

"0 companheiro certo para a Mulher Selvagem é aquele que tem uma profunda tenacidade e resistência de alma, aquele que sabe mandar sua própria natureza instintiva ir espiar por baixo da cabana da alma de uma mulher e compreender o que vir e ouvir por lá. O bom partido é o homem que insiste em voltar para tentar entender, é o que não se deixa dissuadir."

"Portanto, a tarefa primitiva do homem consiste em descobrir os nomes verdadeiros da mulher, não em usar indevidamente esse conhecimento para ganhar controle sobre ela, mas, sim, para captar e compreender a substância luminosa de que ela é feita, para deixar que ela o inunde, o surpreenda, o espante e até mesmo o assuste. Também para ficar com ela. Para entoar seus nomes para ela. Com isso os olhos dela brilharão. E os dele também."

"É bom ter muitas personas, colecioná-las, costurar algumas, recolhê-las à medida que avançamos na vida. Quando vamos envelhecendo cada vez mais, com uma coleção dessas à nossa disposição, descobrimos que podemos ser qualquer coisa, a qualquer hora que desejemos."


Uma Reflexão


"Não subestime os outros, nem os idolatre demais. Seja educada, mas não certinha. Não minta, nem conte toda a verdade. Dance sozinha quando ninguém estiver olhando. Divirta-se enquanto seu lobo não vem."

terça-feira, 16 de junho de 2009

Vermelha


Vermelha

Intensa a luzir
dentro do meu peito
a paixão que se dirfarça
em tons e raios
lilazes, matizes pacíficas
quando longe de ti.

E você, meu cristal,
coloriu minha vida,
misturou as cores, sentimentos e razões
com seu ardor de fogo
com sua transparente simplicidade
e essa genuína vontade de amar sem freios
essa vontade
que me fez brilhar mais uma vez
Brilhar em vermelho

Kátia

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Pai


PAI

FÁBIO JR.

Pai!
Pode ser que daqui a algum tempo
Haja tempo prá gente ser mais
Muito mais que dois grandes amigos
Pai e filho talvez...

Pai!
Pode ser que daí você sinta
Qualquer coisa entre
Esses vinte ou trinta
Longos anos em busca de paz...

Pai!
Pode crer, eu tô bem
Eu vou indo
Tô tentando, vivendo e pedindo
Com loucura prá você renascer...

Pai!
Eu não faço questão de ser tudo
Só não quero e não vou ficar mudo
Prá falar de amor
Prá você...

Pai!
Senta aqui que o jantar tá na mesa
Fala um pouco tua voz tá tão presa
Nos ensine esse jogo da vida
Onde a vida só paga prá ver...

Pai!
Me perdoa essa insegurança
Que eu não sou mais
Aquela criança
Que um dia morrendo de medo
Nos teus braços você fez segredo
Nos teus passos você foi mais eu...

Pai!
Eu cresci e não houve outro jeito
Quero só recostar no teu peito
Prá pedir prá você ir lá em casa
E brincar de vovô com meu filho
No tapete da sala de estar
Ah! Ah! Ah!...

Pai!
Você foi meu herói meu bandido
Hoje é mais
Muito mais que um amigo
Nem você nem ninguém tá sozinho
Você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo em paz
Pai! Paz!...

Terça Feira, 21/04/2009 eu perdi meu pai. Como um passarinho, uma ave de rapina, um animal arisco que resolveu voar, ele se foi... As palavras me faltam, estão escondidas no fundo da minha alma, sepultadas. Através dessa música estou buscando as palavras fugitivas...que insistem em se esconder de mim agora.

beijocas
Kátia Barros

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Minhas "Zaza's"


Essas figuras da foto acima são minhas amigas. Tão diferentes de mim e tão essenciais na minha vida. Como se uma parte de mim fosse construída através do convívio com essas meninas. Uma, completamente libertária, amiga forte, decidida, impulsiva, uma diva. Outra, centrada, mas com um "que" revolucionário nas atitudes, sempre a me surpreender pelo seu intelecto refinado, sua coragem de assumir suas idéias, sua capacidade de se superar. Outrinha, buscando um caminho, amando incondicionalmente e assumindo também corajosamente esse amor, sem medos ou freios, sem se importar com julgamentos alheios. Todas, encarando a vida e seus descaminhos com muita força e perseverança.
O título Zazas faz uma referência a Elizabeth Mabile, a Zaza, amiga de longos anos de Simone de Beauvoir, que morreu abruptamente assassinada. Simone falava do grau de cumplicidade delas e de como sua amizade a ajudou a se tornar quem foi. Exatamente como as minhas amigas. Cada nuance, cada palavra delas é um pouco de alimento para minhas pesquisas malucas sobre o comportamento da mulher atual, essa mulher guerreira, feminina, apaixonada, ansiosa por liberdade que somos.



Foto: Minhas Zazas no Dia das Amigas

Uma reflexão


Viver é enfrentar a vida, conviver é enfrentar a si mesmo...


Kátia Barros

Amor pra Recomeçar



Quando eu realmente comecei a escrever o blog, eu estava colocando pra fora através das palavras o sofrimento de ter perdido um amor, alguém que naquele momente era importante para minha vida, alguém que julguei ser o verdadeiro amor. Rapidamente já se passaram 2 anos e minha querida amiga Mi, que também tinha acabado de passar por uma separação, fez Blogterapia(rs) comigo, escrevendo seus posts maravilhosos, suas poesias lindas, tão românticas e encantodoras como ela, está feliz ao lado do seu amado. E eu, fui surpreendida há 5 meses por um novo amor. É isso mesmo, depois de 2 intermináveis anos eu o encontrei, fora dos padrões, sincero, diferente de mim, ousado, determinado. Alguém que acreditou que poderia dar certo, e deu. Alguém que poderia ter ido embora, mas ficou. A você meu querido, eu ainda não consegui dedicar minhas palavras. Elas estão retornando ao meu coração. Mas, um bom tempo depois da Mi, estou aqui, recuperada e Feliz novamente, vivendo esse amor pra recomeçar.


Foto: Eu e Eduardo

Simone de Beauvoir e Sartre, vivendo sem tempos mortos.


Bom Dia,



Ontem fui assistir uma peça com a Fernanda Montenegro chamada, Viver Sem Tempos Mortos, na qual ela interpreta Simone de Beauvoir, contando sua história de vida, sua busca idealista pela liberdade, de ser, de ter, de existir. Somente em vê-la, você se sente extasiada. Uma senhora esguia, elegante por própria natureza, olhar firme, gestos absolutamente naturais. O tema central do espetáculo era um passeio sobre a vida dessa escritora, feminista, filósofa que junto com Jean Paul Sarte viveu um amor completamente livre, baseado em idéias revolucionárias para a época, décadas de 30,50,60. Imaginem um casal que se amava, porém mantinham declaradamente relacionamentos com terceiros, o que não os impediam de mantê-los juntos. Ora, nesse mundo aonde os relacionamentos são tão instáveis, aonde o individualismo apregoado por muitos, contamina o amor, me questionei por horas sobre como eu sou tão provinciana e paradoxal? Não aceito a idéia de dividir meus relacionamentos afetivos, mas não gosto de me sentir prisioneira, como coloquei em muitos posts aqui no blog. Quando falo de prisão, me refiro à conceitos, sentimentos, emoções, comportamentos repetitivos, padrões que seguimos uma vida inteira sem duvidar ou questioná-los. Ontem, por causa da Simone/Fernanda, eu me perguntei novamente, nesse meu novo ciclo de vida o que é o Amor? Convivência, companheirismo, renúncia, mistério? Somos realmente livres quando amamos?

Ainda não consigo responder essa pergunta por minha conta e risco, mas me lembro bem de que quando era casada eu descobri que amava de verdade meu marido quando perdoei uma traição. Esgarçada, atordoada, completamente benevolente eu descobri que amava. Naquele momento, somente naquele, eu me senti sinceramente livre. Mas, com o passar dos anos, muitos relacionamentos depois, eu percebi que como Simone, eu também não vivi nem quero viver em tempos mortos.



Um beijo a todas,

Kátia Barros



Foto: Jean Paul Sartre, Che e Simone de Beauvoir, compartilhando suas idéias políticas e libertárias.

Albert Sweitzer - Uma Vida Dedicada

Albert Schweitzer



Albert Schweitzer nasceu em Kaysersberg, na Alsácia, então parte do Império alemão (hoje uma região administrativa francesa).
Formou-se em Teologia e Filosofia na Universidade de Strasburgo, onde, em 1901, o nomearam docente. Tornou-se também um dos melhores intérpretes de Bach e uma autoridade na construção de órgãos.
Aos trinta anos, gozava de uma posição invejável: trabalhava numa das mais notáveis universidades européias; tinha uma grande reputação como músico e prestígio como pastor de sua Igreja. Porém, isto não era suficiente para uma alma sempre pronta ao serviço. Dirigiu sua atenção para os africanos das colônias francesas que, numa total orfandade de cuidados e assistência médica, debatiam-se na dura vida da selva.
Em 1905, iniciou o curso de medicina, e seis anos mais tarde, já formado, casou-se e decidiu partir para Lambarené, no Gabão, onde uma missão necessitava de médicos. Ao deparar-se com a falta de recursos iniciais, improvisou um consultório num antigo galinheiro e atendeu seus pacientes enfrentando obstáculos como o clima hostil, a falta de higiene, o idioma que não entendia, a carência de remédios e instrumental insuficiente. Tratava de mais de 40 doentes por dia e paralelamente ao serviço médico, ensinava o Evangelho com uma linguagem apropriada, dando exemplos tirados da natureza sobre a necessidade de agirem em beneficio do próximo.
Com o início da I Grande Guerra, os Schweitzer foram levados para a França, como prisioneiros de guerra. Passaram praticamente todo o período da guerra confinados num campo de concentração, neste período Albert escreveu sobre a decadência das civilizações.
Com o final da guerra, reiniciou seus trabalhos como se nada tivesse acontecido, e ante a visão de um mundo desmoronado, dizia: “começaremos novamente, devemos dirigir nosso olhar para a humanidade”. Realizou uma série de conferências, com o único intuito de colher fundos para reconstruir sua obra na África. Tornou-se muito conhecido em todos os círculos intelectuais do continente, porém, a fama não o afastou de seus projetos e sonhos.
Após sete anos de permanência na Europa, partiu novamente para Lambarené. Desta vez acompanhado de médicos e enfermeiras dispostos a ajudá-lo. O hospital foi levantado numa área mais propícia, e com o auxílio de uma equipe de profissionais pode dedicar algumas horas de seu dia a escrever livros, cuja renda contribuía para manter os pavilhões hospitalares.
Extasiou o mundo com sua vida e sua obra, e em 1952, recebeu o Prêmio Nobel da Paz, como humilde homenagem a um “Grande Homem”.
Morreu em 4 de setembro de 1965, em Lambaréné, no Gabão.