
Bom Dia,
Ontem fui assistir uma peça com a Fernanda Montenegro chamada, Viver Sem Tempos Mortos, na qual ela interpreta Simone de Beauvoir, contando sua história de vida, sua busca idealista pela liberdade, de ser, de ter, de existir. Somente em vê-la, você se sente extasiada. Uma senhora esguia, elegante por própria natureza, olhar firme, gestos absolutamente naturais. O tema central do espetáculo era um passeio sobre a vida dessa escritora, feminista, filósofa que junto com Jean Paul Sarte viveu um amor completamente livre, baseado em idéias revolucionárias para a época, décadas de 30,50,60. Imaginem um casal que se amava, porém mantinham declaradamente relacionamentos com terceiros, o que não os impediam de mantê-los juntos. Ora, nesse mundo aonde os relacionamentos são tão instáveis, aonde o individualismo apregoado por muitos, contamina o amor, me questionei por horas sobre como eu sou tão provinciana e paradoxal? Não aceito a idéia de dividir meus relacionamentos afetivos, mas não gosto de me sentir prisioneira, como coloquei em muitos posts aqui no blog. Quando falo de prisão, me refiro à conceitos, sentimentos, emoções, comportamentos repetitivos, padrões que seguimos uma vida inteira sem duvidar ou questioná-los. Ontem, por causa da Simone/Fernanda, eu me perguntei novamente, nesse meu novo ciclo de vida o que é o Amor? Convivência, companheirismo, renúncia, mistério? Somos realmente livres quando amamos?
Ainda não consigo responder essa pergunta por minha conta e risco, mas me lembro bem de que quando era casada eu descobri que amava de verdade meu marido quando perdoei uma traição. Esgarçada, atordoada, completamente benevolente eu descobri que amava. Naquele momento, somente naquele, eu me senti sinceramente livre. Mas, com o passar dos anos, muitos relacionamentos depois, eu percebi que como Simone, eu também não vivi nem quero viver em tempos mortos.
Um beijo a todas,
Kátia Barros
Foto: Jean Paul Sartre, Che e Simone de Beauvoir, compartilhando suas idéias políticas e libertárias.
0 blogmaníacos:
Postar um comentário